domingo, janeiro 13

História de nós dois

- Desci do carro e você nem para trás olhou. Deu um aperto no peito, mas eu sabia que era o certo a se fazer. Não dava mais para te enganar, para tentar te fazer feliz sem conseguir, eu só estava te machucando cada dia mais -. Mas eu não te reconheci naquele dia, entende? Passou um filme pela minha cabeça e eu parei para me perguntar o que eu tinha feito de errado, será que menti para você? Será que te fiz de idiota? Mas a resposta veio automaticamente e a resposta era não. Claro que não te fiz mal, como poderia fazer mal para uma pessoa tão especial para mim? Então cheguei a conclusão de que você não me entendeu, como na maioria das vezes. - Fechei a porta, e vi o carro descer a ladeira até o ultimo farol sumir. Me sentei na poltrona da sala, aquela que a gente costumava passar horas juntinhos, apenas olhando para o teto, aquele que a gente tinha decorado -. Foi tudo tão bom, foi bom para mim e para você, só que de formas diferentes. Eu te queria comigo e te quero, mas não do jeito que você quer. Então eu não podia continuar fazendo isso com você, logo você que sempre me ajudou, que sempre olhou por mim. Mas mesmo sabendo que você preferiu ir para longe, eu te mantenho perto. Não joguei a poltrona fora, nem desfiz a nossa decoração. Na verdade até coloquei aquele papelzinho de bala do nosso primeiro encontro na minha caixinha de recordações (e acho que abro ela de cinco em cinco minutos para olhar ele). Pode parecer bobo, eu sei, aliás... sempre fui meio boba. Mas eu gosto de ser assim. Eu sei que muitos vão me julgar por tudo, por eu ter jogado a nossa história fora, mas eu não joguei. Eu sei também que você nem deve estar se importando muito com isso, mas eu queria dizer que estou bem. Estou seguindo a minha vida e espero que você faça o mesmo. Só há uma diferença entre a gente, você continua guardado em mim, continua vivo nas minhas melhores lembranças, mas eu já morri para você. E eu digo isso assim, naturalmente, porque eu já esperava isso de você. - Escuto umas batidas na porta e Ted não havia dado sinal de vida (o cachorro que ganhei quando tinha dez)... Me deparo com uma surpresa, é você, sim, não estou sonhando. E você disse apenas, eu sou o seu amigo e nada vai mudar isso. Então tive certeza que era você...

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